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Notícia postada em 22/08/2010 15:26, por Cesar Enrique de Melo
Equipe de ecologia de peixes em ambientes de áreas rasas conclui primeira etapa de pesquisas no Rio das Mortes.
Os pesquisadores responsáveis pelo tema ecologia de peixes em ambientes de áreas rasas, no projeto Corredor das Águas, concluíram no início de agosto de 2010 a primeira etapa de pesquisas no Rio das Mortes.
No total foram amostradas 23 áreas de pesquisas distribuídas ao longo de 160 km do Rio das Mortes, no município de Nova Xavantina. Até o momento já foram identificadas 63 espécies de peixes, a grande maioria de pequeno porte, ou juvenis de espécies maiores. Embora a identificação final dos peixes ainda esteja em andamento, é provável que tenhamos várias espécies ainda não descritas para o estado de Mato Grosso e algumas espécies ainda desconhecidas da ciência. (veja algumas dessas espécies e ambientes estudados na galeria de imagens)
O desconhecimento dessas espécies de pequeno porte se deve principalmente às dificuldades de amostragem, já que muitas vivem em locais de acesso restrito, e não servirem, na maioria dos casos, para a alimentação humana. Embora algumas espécies sejam exploradas comercialmente para aquarismo ou iscas para pesca de peixes maiores, de forma geral, não apresentam grande valor comercial. No entanto, tem funções muito importantes na natureza. Uma dessas funções é servir como alimento para espécies de maior porte, como os pintados, jaús, cachorras, curvinas, tucunarés, bicudas e outras espécies grandes e que são amplamente utilizadas na alimentação humana. Outra importante função desses peixinhos é servir como indicadores de qualidade da água. Peixes pequenos, de forma geral, são mais suscetíveis às alterações ambientais do que os grandes, já que seus hábitats são mais restritos. Assim, diante de um dano ambiental, esses são os primeiros peixes a serem afetados, já que dispõem de menor capacidade de migração. Com isso, a presença ou ausência de algumas dessas espécies pode ser um bom indicador da qualidade da água do rio.
O estudo do ambiente onde essas espécies vivem também pode nos proporcionar respostas importantes de como devemos proceder para manter a diversidade biológica do Rio das Mortes, já que é desses ambientes arenosos e rasos que esses pequenos peixes retiram todo o seu alimento e encontram locais de abrigo e reprodução. Evitar o desmatamento das margens dos rios é de suma importância para a sobrevivência desses peixes, pois as árvores marginais fornecem alimentos e evitam que o desmoronamento do barranco assoreie o rio, destruindo os locais onde esses peixes vivem. Além disso, várias das espécies encontradas se alimentam de material originário das matas ciliares (APPs), como pequenos frutos, sementes e insetos, e a retirada dessa vegetação implicará no extermínio desses peixes. Atualmente a equipe trabalha em laboratório para identificar todas as espécies encontradas e tentar compreender quais fatores ambientais são mais importantes para a conservação desses peixes. A segunda etapa de pesquisas será iniciada no final de setembro de 2010.
Participaram da 1ª etapa do projeto os biólogos pesquisadores: Prof. Dr. Cesar Enrique de Melo; Dra. Jane Dilvana Lima; MSc. Eliete Francisca da Silva; MSc. Tatiane Zillmer de Oliveira, Priscylla Rodrigues Matos; Carolina Mancini do Carmo; os estagiários: Ananda Carla Scatena de Souza e Marcos Kreutz; o piloto de barco João Alves Lima Neto (Joãozinho) e os auxiliares Dna. Jeonice Alves Barreto (cozinheira) e Antônio Gama Cota (barqueiro).
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